segunda-feira, 7 de abril de 2008

um ano de namoro à la Jack

E daí que meu namorado e eu fizemos um ano de namoro e queríamos comemorar num restaurante melhorzinho e tal, e perguntei pro meu chefe onde eu poderia ir.


Sem nem pensar, ele falou:


- Já que você come peixe, tem que ir no restaurante La Fitora, do lado do Porto Olímpico e pedir um caldoso de bogavante. Pede uma mesa do lado de cima, porque tem vista pro mar. Vai sair meio caro, mas tem que ser esse. Se você quiser, eu até te faço um espréstimo. Ah, peça vinho branco. Quando eu fui com a Lourdes, minha namorada, ela pediu um tupperware pra levar o que sobrou pra casa, entao imagina!


Fiquei com uma cara de "méééo como assim" e já mandei um SMS pro Julien:


"Temos restaurante, comida e vinho, já era".


Liguei pro restaurante e reservei mesa pras 21h00. E lá fomos nós, com uma roupa casual-chic jantar no Porto Olímpico.


Durante todo o trajeto ele me perguntou que raios a gente ia comer, e eu fazendo surpresa. Aí fizemos uma brincadeira de que se ele adivinhasse, eu contaria o que era.


Mas... mal sabia ele que eu nao tinha A MENOR IDÉIA do que poderia ser um bogavante. Até o momento eu pensava que era um peixe mais estiloso.


Chegamos no recinto, mór chique. Nao sei se dá pra ver direito, mas olha a vista pro mar:











Sentamos e nem olhei o menu. Falei pro garçom:


- Recomendaram um caldoso...


- ... de bogavante. Certo. É a nossa especialidade. 20 minutos, ok?


- Ok.


Atrás de nós estava sentado um casal com uma bandeja enorme de frutos do mar. Era imenso o prato, e todos os animais que compunham a cena estavam cozidos inteiros, com olhos, cabeça, patinhas, tudo. Aí comentei com o namo:


- Entao, eu até como frutos do mar, mas eu nao poderia comer um troço desses. Nao tem como você olhar nos olhos de animal e depois enfiar o garfo nele, sabe?


Volta o garçom com os talheres, e coloca isso na mesa:





Sim, todos esses talheres sao meus. Lembrei do Dr. Máximo, o dentista que tirou o meu ciso. Acho que ele utilizou menos ferramentas no dia da extraçao.

Comecei a ficar branca, suada e gelada. Julien colocou mais vinho no meu copo. Até que saiu a pergunta:

- Mas Tati, o que é um bogavante?

- Nao sei!!!!!!!!!!! Ai meu deus!!!!! Nao sei!!!! E agora????? E se vier com olhos????

- Você nao sabe o que a gente vai comer?

- Nao, meu! Meu chefe recomendou, e como ele cozinha bem, nem perguntei nada, ele falou que era um peixe, sei lá eu!

- Hahah.....

- Pára de rir! Poe mais vinho aí, vai....

E chega o garçom. Sabe o que é um bogavante?

É uma lagosta imensa, geneticamente modificada e criada pelos nutricionistas do McDonalds. Tipo a lagosta do lago Ness. Tipo, meu deus.

Depois de servidos os pratos, Julien me diz:

- Como faz?

- Nao me diga que os instrumentos de tortura sao pra tirar a carne de dentro do bicho.

- Vamos ver.

Segura o tronco da lagosta com o negócio que parece um quebra nozes e entuxa o garfinho com dois dentes dentro dela. De lá tira uma carninha cor de rosa. Se liga no prato:





Sinto uma gota de suor descer ao lado da minha orelha. Digo:

- Vou mandar um SMS xingando o meu chefe.

- (depois de provar o bogavante) Hummm, que bom! Nao vai mandar mensagem nao! Prova!

Provei.

E nao é que era bom, mesmo? Só que gente, vamo combinar. Fazer o Jack Estripador nao dá.

E o Julien falava pra mim:

- Pensa como se fosse uma brincadeira, nao é um bicho, blá blá blá.

Sei que no fim das contas, peguei leve com o animal e nao o destruí inteiro. Passei minha parte do namo e comi o caldo com arroz. Bem melhor.

Agora a foto do necrotério:






O que sobrou do bogavante.



Primeira e última. Juro.

E ah, sim, pedimos um tupperware.





terça-feira, 1 de abril de 2008

da arte de fazer merda

Nao sei cozinhar. É isso. Prontofalei.
Aí olha o que acontece quando eu me atrevo:

Desde que eu mudei pra Barça (e antes também) criei um histórico de dedos cortados, comida no lixo, coisas esfumaçadas, líquidos derramados e pele (e pêlos) queimados.
Teve até uma vez que o Joan, namorado da Rê, veio com um band-aid na cozinha porque sabia que eu tava cortando tomates, e falou:

- Ó, em caso de você se cortar...

E nao é que eu me cortei? Mas enfim... vamos ao que interessa.
O histórico de tragédias no trabalho.

- Da arte de queimar "bikinis"

Pra quem nao sabe, bikini aqui é um sanduba tipo bauru, só que sem tomate. Presunto, queijo e é nóis.
E nao sei o porquê do motivo, mas TODA vez que me mandam fazer um maldito bikini, eu o esqueço na tostadeira. Nao é mentira.
Nem todas as vezes os sanduíches saíram queimados, mas sim, todas as vezes eles ficaram dentro de um mini-forninho quente, até que alguém os tirasse de lá.

A primeira vez que eu esqueci um bikini tostando foi bastante traumática. Tinha acabado de começar a trabalhar na cafeteria de um clube aqui perto de casa, e meu chefe na época mandou eu fazer o tal sanduba pra nao sei quem. Ele falou:

- Fica de olho, tá?

E eu:

- Tá.

Um segundo depois da resposta eu tinha esquecido totalmente a porcaria do bikini.
Meia hora depois, estava eu varrendo o chao e entra o chefe correndo. Quando olho pra onde ele tava indo, vejo o cogumelo de fumaça à la Hiroshima que tomava conta do local. Fiquei de boca aberta, com a vassoura na mao, pensando que talvez eu pudesse sair voando com ela se dissesse uma palavra cabalística. Mas nao rolou.

Aí ele colocou outro pao dentro da máquina. Falou de novo:

- Tati, pára de pedir desculpas, nao tem problema, mas dessa vez fica de olho mesmo, tá?

- Tá.

Aí eu esqueci de novo! Têm noçao?

Volta o chefe depois de meia hora DE NOVO correndo pra salvar o restaurante. Sorte que eu tava lá fora essa hora. Quando ele veio falar o que tinha acontecido, perguntei:

- Você vai me mandar embora hoje mesmo?

Ele riu porque tinha bom humor naquela época. Depois me mandou embora de verdade.

- Da arte de fritar bacon

Hoje em dia eu trabalho num bar chamado Café Ibiza, que eu amo. O chefe é o ser humano mais legal do mundo, cozinha horrores, faz pratos multicoloridos de verduras pra mim, faz café com Baileys e chantilly, compra tomates de cores diferentes pra eu provar e até traz manga pra eu matar a saudade da minha terra. É inacreditável.

Aí teve um dia que ele nao podia cozinhar porque tinha que resolver X´s assuntos. E me pediu pra fazer um sanduba de bacon.

Cacete, mano. Eu, peixetariana que sou, cortando bacon, lombo, frango, salsicha, fuet, linguiça, morcilla (um bagulho com sangue) e hambúrguer nao dá. Fico com o braço arrepiado 100% do tempo.

Beleza, botei o bacon pra chapa, fez tchhhhhh e veio toda a fumaça no meu cabelo. Pensei:

- Ah, como é porco, deve ficar na chapa o maior tempao, vai que rola uma taenia solium, né?

Sei que 10 minutos depois eu tirei o micro-carvao de porco que tinha sobrado da fritada e fiz disso um sanduba.

Levei pro bróder que tava lá fora.
Desejei bom apetite, aquela coisa toda.
Na hora de recolher o prato, perguntei:

- Tava bom?

Aí ele nao falou nada. Ficou olhando pro horizonte, fingindo que nao tinha escutado.

Depois disso, perguntei pro boss:

- Juanjo, quanto tempo é pra deixar o bacon na chapa?
- Ah, uns 20 segundos de cada lado...

Gente, fiquei bege. Coitado do cara, mano. Devia ter reclamado, né? Sei lá eu.

- Da arte de cortar finas fatias

Lá no Ibiza tem aquele cortador de frios de padaria, e eu tenho que usá-lo. MOR-RO de medo.
Até descobrir que existe uma luva de ferro, que é pra nao cortar uma fatia do dedo, rolava uma paúra-mór.
Antes da luva mágica, eu nao sabia muito bem o nível de grossura pra cortar um "jamón serrano", por exemplo. Jamón serrano é aquela pata inteira do porco, defumada (?), com pé e tudo. E as primeiras vezes que tive que pegar meia pata nojenta do porquinho óinc-óinc morto, entrei em pânico. Cortei um belo bife e enfei no meio do pao. Ainda bem que era pra um dos chefes.

- Tati, agradeço a sua generosidade, mas nao consigo mastigar.

- Da arte de espirrar leite na cara

- Oi, por favor, eu quero um capuccino.
- Tá.

Vem o chefe.

- Tati, você sabe fazer espuma com o leite?
- Hehe.
- Entao, tem que esquentar com esse negócio, assim assado, ó.
- Ah, beleza.

O "negócio" em questao é um tubo de metal que sai um vapor fervendo. E pra fazer a porcaria da espuma, tem que colocar o vapor na borda do leite que fica dentro uma leiteira de alumínio. O barulho do vapor saindo do tubo é ensurdecedor. (Nao sei se tô explicando direito, mas enfim).

Aí eu fui ver como tava a espuma. Abaixei um pouquinhozinho a leiteira, e o tubo de vapor saiu de dentro do leite. Essa açao fez com que o vapor soprasse o ar, que soprou o leite, que voou na minha cara.
Fiquei com os cílios grudados e com gotas brancas no nariz, e meu chefe assumiu o comando enquanto eu fui lavar a cara no banheiro.

- Da arte de levar choque

Acontece assim:

Se eu estou com a mao na torneira e encosto na cafeteira, levo um choque.
Se eu estou com a mao na cafeteira e apóio na base de ferro, levo um choque.
Se eu estou com a mao na lavadora de copos e encosto na pia, levo um choque.
Se estou parada na minha sem fazer porra nenhuma, levo um choque.


Outro dia assinei um papel sobre segurança no trabalho. Vou fazer um curso na semana que vem.

É sério.